Quando a pandemia teve início e aumentou substancialmente a exposição dos jovens às telas de diferentes dispositivos digitais, o Brasil já estava na segunda posição quando o assunto é cyberbullying. Classificado como: uma intimidação sistemática sofrida por meio das plataformas digitais, esses assédios são práticas de violência cometidas com requintes de perversidade por futuros adultos intolerantes.

A adolescência é um período de autoafirmação onde o grupo é parte importante da formação da identidade de cada um. Dali muito da personalidade vai emergir. É quando iniciam relacionamentos amorosos, preferências em estilos estéticos e amizades mais complexas. Nessa etapa existe, também, a preocupação em como todos esses processos se dão, fazendo-os inseguros quanto a sua personalidade e capacidade.

No cyberbullying, o agressor mantém sempre o mesmo padrão. São jovens com medo ou dificuldade de conviverem consigo mesmos, transferindo de forma cruel seus sentimentos e frustrações nos pares potencialmente frágeis. Entretanto, nesse caso, existe o fator multiplicador da internet associado ao suposto anonimato e à sensação de impunidade, motivando-os a construir imensas redes de assédio e violência. Não raro, perfis e grupos são criados com o único propósito de cometer atos de violência psicológica contra outra pessoa. Mesmo com tudo isso, O Brasil não tem legislação para o cyberbullying, considerando-o como crime contra honra por meio de um ato infracional.

Por outro lado, o que esses jovens vítimas enfrentam nos consultórios de psiquiatria são sintomas como dificuldade para dormir, diminuição do rendimento acadêmico, sensação de desamparo e baixa autoestima. Quando não tratados, esses problemas podem evoluir para depressão, fobia social, ansiedade e síndrome do pânico.